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June 11 Conto da carochinhaEra uma vez,
June 04 As coisas como elas são e a vida como ela não é![]() Outro dia estava andando com uma amiga. Ela pedalava e eu ia a pé. Como de costume, pegamos o mesmo caminho. Conversávamos abobrinhas, dessas que mulheres conversam quando não têm mais nada pra fazer. Ao atravessar a rua, como duas boas cidadãs, usamos a faixa de pedestres. Quase que involuntariamente, quem me conhece sabe que isso é normal, eu comecei a conversar com os carros pra que eles parassem. Eu sei, eu sei que a maioria das pessoas acena com a mão para que os motoristas parem os carros. Eu também faço isso... e vou além, converso com os CARROS. Não enxergo motoristas, penso em carros.
_ Eu vou passar, acho bom que vocês parem. Vai ser melhor, podem acreditar._ e acrescentei _ Ela é uma BICICLETA, mas eu sou gente.
Os ciclistas que desçam das bicicletas, se quiserem atravessar pela faixa... A M, minha amiga, morreu de rir. Primeiro, porque eu converso com os carros e, Segundo, porque, enquanto ela estava em cima da bicicleta, tinha deixado de ser gente. Eu também ri. E depois fiquei pensando... São as coisas que fazem parte de nós ou nós que nos tornamos parte das coisas? A partir de que momento as coisas inanimadas tornam-se sujeitos das ações? Apassivação reificada? Ou vocês acham que é marxismo demais para uma cabeça só? rs. |
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