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Camila Silva

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Além do Mais

Nada é tão demais que não dê pra ir além...
January 22

Lego

1.  Enquanto eu caminhava pra casa e tentava não pensar nas coisas da faculdade, ou nas do trabalho, eu ia odiando a minha vida. E eu odiava tão profundamente que não conseguia me imaginar sem ela. A maioria das coisas de que eu não gosto, vêm caminhando atrás de mim, como penduricalhos de carro de recém casados. E a minha vida também faz barulho.

2.  Não sei precisar há quanto tempo arrasto minha vida pelo caminho. Mas sei que o barulho que ela faz, às vezes me ensurdece à minha própria voz. Quem dera fosse um estouro, uma batida, um susto... Mas a vida, a minha, é barulho de pingo de chuva caindo em balde já cheio. Barulho de mediocridade frequente e (também por isso) ineficaz. Não há nada acontecendo de novo. E também não há motivo pra odiar tanto. Só odeio. Precisamente só.



E aí... Ninguém vai me ajudar a montar esse trem, não?

Mila


January 20

Lego

Ter esse blogue me surpreende de vez em quando. Me surpreende, já de início, porque foi uma coisa que eu mantive durante muito tempo. Não sei ser muito persistente com as coisas, tenho sempre uma insatisfação me cutucando que me faz largar o que não quero mais, tão logo me dê na telha. Tanto que desisti... e agora voltei. mexendo nos rascunhos que eu espalhei por aqui, tive de enfrentar outra surpresa: esse blog tem cheiro de baú de esconder debaixo da cama, cheiro de relicário, cheiro de vovó.

Divagações à parte, encontrei, sob o título de "Eu de volta... Será?", esse trecho de algu'a coisa que eu ia escrever (não tenho a mínima idéia de como consegui parar aqui pra escrever só 3 linhas...):

"Enquanto eu caminhava pra casa e tentava não pensar nas coisas da faculdade, ou nas do trabalho, eu ia odiando a minha vida. E eu odiava tão profundamente que não conseguia me imaginar sem ela. A maioria das coisas de que eu não gosto, vêm caminhando atrás de mim, como penduricalhos de carro de recém casados. E a minha vida também faz barulho."
 
Achei bom. Diria até que foi suficiente. Só não lembro qual era a conclusão, o que eu pretendia com isso. Amnésia. Daí resolvi brincar com ele. regras do jogo: Cada dia, um post de 3 linhas e em um mês vamos ver se a história ganha um final, pode acontecer da minha cabeça ou da cabeça de algum ser que ainda vague por estes corredores de palavras (isso é um convite intimador a sugestões). Então.... só duas regras, que sem controle, os fluidos não assumem forma e os pensamentos vem...


Idéias? Alguém quer brincar? Alguém?

Marcus! Que milagre o senhor por aqui! Saudade...
Mila.
 






January 19

.

Quero um template novo. E bonitinho.

Volta

De repente me deu saudade. Aí eu quis voltar. Então voltei. Decidi. Só que decidi tarde porque meu horário de almoço está acabando e eu vou ter pouco tempo pra esboçar qualquer coisa....

Mas dá pra me atualizar um bocadinho, então...

Ainda sou apaixonada por arte, ainda sou apaixonada por Literatura, ainda sou apaixonada por Gramática, ainda sou apaixonada por rir e ainda não completei minha lista de simples desejos. Ainda penso que preciso contar as coisas pra me acalmar, ainda desenho coisas sem sentido quando não quero prestar atenção no que me dizem, ainda espirro com perfume forte, ainda sou apaixonada por arquitetura, ainda tenho que devolver livros que peguei emprestado há um ano. Ainda falo demais.

Agora eu trabalho, agora eu dirijo a mais de 100, agora eu fico muito mais cansada. Agora eu amo meu irmão mais novo, agora eu converso com meu pai sempre. Agora eu sou vegetariana, agora eu sinto falta da faculdade, agora eu quero fazer arquitetura, agora eu quero ter 3 filhos (ímpares e únicos). Agora eu acho que vou conhecer a Europa, agora eu anseio desesperadamente por férias, agora eu tenho mais amigos que antes, agora eu consigo dar estrelinha. Agora eu tenho que decidir se quero me apaixonar, agora eu ouço as gravações do passado, agora eu espero parar de mandar tanto em mim.

Já não estudo mais, já não escrevo tanto, já não consigo dormir, já não acho mais que vou ser feliz sozinha. Já não acho que os mais inteligentes são os que eu não entendo, já não acho que sei de tudo um pouco, já não penso que não posso errar. Já não quero morar em Londres, já não acho que o clima mais legal é o cinza, já não acho que escrever liberta. Já não tenho vergonha de dizer no que acredito, já não acho que minha loucura vai me enlouquecer, já não penso que meu homem ideal dorme com um dicionário na cabeceira. Já não acho que nunca.

Amanhã eu tenho que sentir mais, amanhã eu tenho que trabalhar menos, amanhã eu tenho que ter barriga de tanquinho, amanhã eu vou escrever algo que preste.

Saudades disso aqui. Será que alguém ainda lembra de Além do Mais?
Mila
December 02

Último

Sim, eu desisto.
October 23

Tolices

As coisas mais tolas que já vi na vida vieram de pessoas das quais eu não esperava tanto... O que me fez pensar o quanto eu também sou tola quando penso que sou muito esperta. Acreditem, são histórias verídicas:
 
Picolé
 
Existe aqui um picolé meio esquisito. Tem cor azul - o que já é estranho por demais para um comestível - e sabor de tuttifruti - que não ajuda em nada, já que eu não sei ao certo o que está contido em tuttifruti. Será que há jaca em tuttifruti? Afinal são todas as frutas, não é? Será que há Amarula em tuttifruti? Enfim. Estava sentada com minha prima em frente à casa de meus avós na Bahia. Um calor de aterrar, como vocês podem presumir, e milagrosamente nos aparece um moleque vendedor de picolé.
 
_ Ê, menino!
_ Fala!
_ Quanto tá o picolé?
_ Tem de ciquenta, de oitenta e de um...
_ Tem de quê?
_ De uva, de côco, de abacaxi, de goiaba, picolé de blue ice...
 
Blue Ice. Esse é o nome do picolé azul. Na verdade, o picolé é exatamente isso: um gelo azul. Mas na hora em que o moleque disse picolé de blue ice eu disparei a rir enquanto ele e minha prima me olhavam sem entender nada.
 
_ Como é que é um picolé de blue ice? Blue ice é o quê? Uma fruta? Igual goiaba?
 
Tá eu sabia que não era uma fruta, mas é que na minha burrice apressada não sabia que havia elipse da palavra sabor para justificar a preposição 'de'. O negócio é que nem minha prima nem o moleque acharam graça nenhuma. Eu também perdi a graça.
 
_ É que blue ice quer dizer gelo azul, sabe? Tá. Esquece... Eu quero um picolé de goiaba...
 
E a minha prima, como afronta:
 
_ Quero um de blue ice.
 
E o menino me entregou meu picolé em que estava escrito, entre figuras da fruta, o nome 'GOIABA' e o de minha prima, embalado em saquinho azul, com letras cor-de-rosa: BLÚ AICE.
 
 
Jajeira Mental
 
Estavam no ônibus. Dois estudantes do colégio militar daqui de Brasília. Deviam ter 11, 12 anos. Os dois com uma pinta de muito espertos conversavam com a cobradora do ônibus a respeito de um programa de televisão. Era o concurso 'SOLETRANDO'. Os meninos contavam vantagem dizendo que ganhariam facilmente o concurso...
 
_ A garota do programa não sabia o que era ornitorrinco...
 
A cobradora:
 
_ Eu também não sei o que é.
 
O mais metido dos meninos:
 
_ Ornitorrinco é uma espécime muito rara de mamífero, com boca de pato; corpo de lontra; pés, patas e cauda de foca. Na verdade, ele põe ovos, mas amamenta seus filhos e é um marsupial, como o canguru.
 
Foi nessa hora que eu parei na conversa deles. Meu irmão que estava do meu lado disse que eu quase belisquei o menino pra saber se ele era de verdade. Mas aí veio o pior de tudo. O outro menino resolveu se exibir também:
 
_ Eu sei soletrar ornitorrinco.
_ Então soletra!
_ O-R-N-I-T-O-R-R-I-N-C-O.
 
A cobradora:
 
_ Muito bem. Agora soletra uma coisa mais simples... Deixa eu ver. Soletra o que a menina da TV errou, soletra TIGELA.
_ Essa é fácil: T-I-J-E-L-A.
 
Ela corrigiu:
 
_ Tigela é com G.
_ Não é não.
_ É sim, foi isso que a menina errou...
_ Então ela não errou! Como alguém poderia escrever TIGUELA????
 
Ah, não, gente... Não, não.
 
 
 
 
October 14

Nada

E cá estou eu sem ter nada a ver com as coisas, mas não alheia ao que há com os outros. Há mesmo coisas inevitáveis no mundo. E uma delas, a mais incotestável delas, talvez, seja o fim. E não interessa de quem é a culpa, ou porque é que o seu link está na lista de visitantes da minha página. Não dá pra buscar em alguma coisa as razões do que era inevitável. Acaba-se o que era finito e pronto. Passado perfeito. Ação completada. Eu sei que parece simplista na boca de quem não tem nada a ver com a história. Mas é por ser simples mesmo que dói menos... E é melhor doer menos, né, não, gente? Ufa.
 
 
August 02

Eseque - O Brigatório

Era pra lá que as pessoas iam quando precisavam extravasar. Nada de shows de rock, baladas ou yoga. Quando as pessoas estavam a fim de exorcisar, se encaminhavam para Eseque. Vestiam suas túnicas de briga, arrumavam suas cristas e lá iam soprando fogo pelas ventas. Não era nenhum coliseu aquela arena, mas abrigava alguns centos de pessoas. Sim, lá também era assim, havia os que se divertiam brigando e os que se divertiam sem ter coragem de brigar. Viam o circo pegar fogo, sentados de suas desconfortáveis arquibancadas.
 
E foi lá que começou o maior galo de briga homem que já houve. Era inegável, havia nele um dom incomum que o colocava em posição de vantagem sobre qualquer outro lutador. A envergadura de seu nariz era tão arqueada, de uma cartilagem tão dura que pescoço nenhum era suficientemente resistente para aturar. Era o melhor lutador de todos os tempos, velhos tempos de brigatório. Tristão era imbatível.
 
No entanto, sabe-se lá por que ying yang, o bem nunca impera só.
 
Havia, nesse mesmo tempo, um lutador jactante chamado Pacífico. De nome, apenas. Desde menino, nunca admitira perder. Mimado e cheio de vontades, Pacífico cresceu. E foi tentando crescer, em sua pequenez de alma. O que cresceu foi apenas sua prepotência. De longe se via seu ego. E foi lá de longe, na arquibancada do Eseque, que Pacífico se achou no tamanho de medir forças com Tristão. Quando o locutor alegou a invencibilidade do nosso herói narigudo, o invejoso não se conteve - desafiou, de seu lugar desconfortável mesmo, o invicto Tristão.
 
Marcada a luta, os loucos e histéricos frequentadores do brigatório não viam a hora de o dia passar bem depressa. E o dia passou. Nada depressa, passou, porque é inevitável que o tempo passe.
 
Não foi uma luta muito bonita, muito menos limpa. Quando Tristão bicou o pescoçudo Pacífico, o rapaz do mal não se levantou mais. Havia sangue por todo o ringue e a polícia foi acionada. Tristão foi preso. Só ele, sim. Os donos do Eseque mandaram os advogados dizerem à imprensa que a briga era totalmente ilegal e não estava autorizada por eles. Os advogados acharam que seria de bom tom idenizar a família de Pacífico pelos danos. A imprensa acreditou, ou, pelo menos, fez com que as pessoas acreditassem que eles acreditavam que Tristão, nosso herói, tinha uma certa rixa com o defunto. Disseram que a causa da desavença era uma mocinha que preferira o defunto e preterira o detento.
 
Desde aquele dia, o brigatório não funcionou mais. O edifício ainda está lá, caindo aos pedaços por causa do abandono. Os velhos frequentadores desmentem que um dia estiveram lá. Mas você ainda pode reconhecer um Esequiano por aí... São esses que vivem dizendo "Não meta o seu nariz onde não é chamado" quando perguntados qual a graça de uma briga de galo. E não venha chamar de rinha o que eles fazem... Capaz de acharem que você é mais pescoçudo do que deveria.
 
;)
Mila
 
July 31

Depois da Tempestade... Bar virtual.

_ Se a gente é mesmo feito pra viver, porque essa vontade dolorida de fim o tempo todo?
_ Sei lá... Vai que a gente não foi feito pra viver...
_ Ah, não, esperteza? E por que a gente vive se não foi feito pra viver?
_ Eu já disse que não sei?
_ Já. Mas cê tem vontade dolorida de fim?
_ Bicho, acho que vontade dolorida de fim é coisa de artista, sabe? Gente sensível que não tem o que fazer? Aí vai olhando a vida, falando da vida, dizendo a vida, criando a vida, analisando a vida e acaba não vivendo...
_ Então cê não tem vontade dolorida de fim?
_ Primeiro que eu não tenho essas frescuras de dar nome difícil para as coisas... Fica até bonitinho, eu sei que todo mundo tem vontade de morrer, mas eu quero mesmo é esquecer que eu tenho isso. A gente podia filosofar menos e curtir mais, não?
_ Eu tô chata, né?
_ Você triplica sua chatice quando admite que tá chata.
_ É de propósito, mas obrigada pela sinceridade.
_ Você não tá chata, nem é chata também... Cê sabe disso, tô pra ver gente que tem mais consciência de si mesma que você. O negócio é que você pensa demais sobre as coisas. E, por incrível que pareça, você pensa falando...
_ Não é incrível, é normal. E eu nem tenho como evitar pensar demais sobre as coisas... Tô achando tudo tão difícil ultimamente que prefiro meus pensamentos.
_ Se a gente inventasse um bar virtual, você sairia pra tomar uma comigo?
_ Tomar uma? De onde cê tira essas idéias? Sabe que eu não bebo...
_ Eu também não, mas é virtual...
_ Acho que eu iria, sim. Onde é o bar?
_ Fica a uns três megas daqui... A gente chega lá rapidinho...
_ kkkkkkkkkkk... Sabe que você levanta meu astral, né? Tu é massa demais, C...
_ Olha aí... Nem bebeu ainda e já tá me dando mole...
_ Como você é bobo, gente...
_ Vai dizer que não é por isso que você me ama?
_ Acho que é por isso também...
 
C,
Certas pessoas são marcantes e inevitavelmente inesquecíveis... Declarações de amor não são meu forte, aliás, amor nunca foi meu forte. Mas você tem uma capacidade imensa de despertar as minhas forças pro que eu não pensava ser capaz de acordar. Amo você.
Mila
July 25

A revolta dos animais

_Vi outro dia um senhorzinho temperamental chamar aos amigos de animais. Me indignou o fato de eu ser uma dos amigos. Disse a ele que me indignara. Ele olhou-me com o desdém de quem realmente não emprestava nenhum valor à opinião alheia, principalmente à minha.
 
Pois eu vou dizer de novo: animal é a tua família, a tua casa, quem nasceu grudado aos teus pés. Sei o caminho da porta, e eu vou, não porque quer que eu vá, também por isso, mas vou mais por medo de me reduzir animalescamente à tua companhia.
 
E era assim que minha avó brigava nos anos 40... Viram? É de família. A gente vai ser desaforada e desbocada com classe até mil gerações. É instinto. rs.
 
 
"Bom dia, como estar vivo é bom! Sorria, todos tem esse dom!"... Sabe quando a gente tá mais feliz? Quando a gente esquece que acorda mal humorada todos os dias, quando esquece que é uma estátua de gelo na Sibèria,  quando esquece como era ser pessimista, quando o dia já começa anormal, sabe? É isso. Minha vida está sendo anormal. rs.
Mila